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Ingryd Simões Todas as cartas

O autoconhecimento virou só mais uma forma de se manter no mesmo lugar

3 min de leitura

Costumo dizer que existe uma armadilha sutil na vida de quem busca evolução. Você começa a se entender… e, sem perceber, transforma esse entendimento em uma casa onde se esconde.

Tudo bem! É confortável saber por que você faz o que faz. É reconfortante dar nome aos seus padrões. É quase terapêutico mapear traumas, crenças ou até alguns gatilhos.

Mas existe um ponto onde o autoconhecimento deixa de ser uma bússola na sua vida e vira (infelizmente) um solo fértil para autossabotagem mais “sofisticada”.

E desde já quero ser muito clara por aqui, eununcavou defender que você pare de se entender. Até porque, veja bem, isso seria incoerente com tudo que eu estudo, ensino e inclusive vivo. O erro não é entender, é acreditar queentendersubstitui o SEUagir.

O ponto que estou defendendo é que entender é “só” informação. E vamos concordar, informação por si só não reorganiza sua vida, mas comportamento reorganiza.

E existe uma diferença enorme entre:

“Eu sei exatamente onde eu erro.” e “Eu estou fazendo algo diferente a partir disso.”

Essa diferença é onde a maioria trava.

Saber demais sobre si mesma também vira um escudo. Um muito elegante, por sinal.

Quando você tem o mapa inteiro da sua mente nas mãos, você ganha argumentos lindos como justificativa, tais como esses aqui:

“Eu sei por que eu faço isso.”

“Eu entendo minha ferida.”

“Eu reconheço o padrão.”

“Eu já percebi esse sabotador.”

Sim. Você percebeu. Isso é ÓTIMO.

Mas perceber não rompe ciclo, certo? Perceber só ilumina o que precisa ser rompido.

E é exatamente neste ponto que a autossabotagem se disfarça de “maturidade emocional”.

A questão é que a sua mente prefere a resposta que não te compromete com o próximo passo de verdade

Não concorda que é muito mais seguro você analisar seu comportamento do que assumir um novo? Ou entender sua história do que começar a escrever a próxima página? Ou até identificar ser medos do que atravessá-los de fato?

É porque todo sistema interno luta para se manter familiar. Geralmente familiaridade é confortável, mesmo quando te machuca. Já o desconhecido, de certa forma, é assustador, mesmo quando é exatamente o que você quer viver.

E ação não é só ação. Ação também é integração.

E integração é quando:

  • sua identidade começa a sustentar o que você diz querer,
  • sua narrativa interna deixa de te sabotar,
  • seu comportamento vira evidência diária da vida que você quer viver.

Essa é a parte que dói. E sabe por que? Porque exige responsabilidade.

Mas também é a parte que cura, porque te coloca novamente na posição de poder.

Se eu puder te deixar com uma coisa hoje, que seja isso:

Você não precisa apenas entender mais sobre si mesma (acalma o coração, não estou falando que não seja importante). Mas você PRECISA (urgentemente) usar o que já entendeu para se mover.

Perceba que maioria não trava por ignorância, mas sim por falta de integração.

Lembre-se de colocar o entendimento para trabalhar a seu favor, em vez de usá-lo como justificativa para continuar onde está.

É isso que te tira do lugar onde você está.

É isso que começa a construir a vida que você*diz querer viver.*

O resto, bom… você descobre caminhando :)

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